Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes respondidas pelo Dr. Jonas Nunes

Como combater, eliminar, curar a halitose ou mau hálito?

Temos recebido diversos emails de toda a Península Ibérica a perguntar como combater, eliminar ou curar a halitose. A nossa resposta é invariavelmente: “a taxa de êxito é muito elevada porque o tratamento utilizado está diretamente relacionado com o tipo de halitose diagnosticado”. A nossa missão tem sido expor a verdade com o máximo rigor científico. Qualquer pessoa que reflita sobre este tema compreenderá que esta é a única resposta autêntica e com sentido.

Aclaramos os nossos pacientes que as expressões mau hálito ou halitose possuem um escasso significado fisiopatológico (somente indicam uma alteração do odor no ar expirado). É como perguntar como se cura uma pessoa enferma/doente… a questão que se coloca de imediato é qual é a doença que está presente nesse caso? Ainda que comercialmente seja muito atrativo anunciar “a cura/solução para o mau hálito”, todos sabemos que não existe na Medicina um medicamento ou um procedimento universal que cure as doenças. O mesmo sucede com a halitose. Há mais de 80 causas com origem em distintas partes do organismo. Sendo esta a realidade, não é uma ingenuidade crer que há um tratamento para todas elas?
Há que combater a falta de ética comercial que tira proveito da fragilidade de muitas pessoas. Estas, devido ao impacto grave que a halitose provoca nas suas vidas, gastam centenas de euros em todas as “novidades” amplamente divulgadas na comunicação social ou na Internet. Alguns pacientes chegaram mesmo a referir que ainda que não acreditando que, por exemplo, uma coisa tão ilógica e sem fundamentação científica como um disco de aço, cure todas as halitoses, o desespero levou-as a adquirir esse produto. Nos dias de hoje e tendo em conta o cenário atual, julgo ser imperioso a criação de legislação e vigilância para a defesa do consumidor.

Voltando à pergunta, primeiramente deve-se descobrir qual é a causa do mau hálito: em ciência chama-se a obtenção do diagnóstico etiológico. Se a causa não é claramente visível/detetável (como nos casos de má higiene oral; focos infeciosos evidentes, etc.), é aconselhável procurar uma consulta especializada de halitose. Neste contexto, depois de descoberta a causa, simplesmente deve ser elaborado o plano de tratamento correspondente à luz da Medicina atual (ex.: os inibidores de bombas de protões geralmente são bem sucedidos no tratamento do refluxo gastroesofágico, porém, se a causa é uma hipossalivação grave elege-se um fármaco parassimpaticomimético adequado). Depois de ser alcançado o diagnóstico etiológico (ex.: halitose por hipossalivação), temos então um diagnóstico médico com a respetiva correspondência terapêutica, pois sabemos exatamente qual a doença/patologia. Isto é verdade, rigor e prova científica de êxito (e não promessas fantasiosas aproveitando o desespero das pessoas que já são vítimas por padecer de mau hálito).

Infelizmente, o desespero cega as pessoas (incluindo até os racionais). Continuamos a ver pacientes que nos visitam pela primeira vez possuindo una higiene oral irrepreensível mas que continuam a utilizar elixires/colutórios orais ininterruptamente várias vezes ao dia. Se racionalizarmos o problema, observamos que até uma criança compreende. É como ter uma fonte de mau odor na cozinha e compulsivamente pulverizar a sala com um desodorizante ou limpá-la um líquido desinfetante.

É de salientar que até os elixires de uso oral que contêm antimicrobianos, contêm certos desodorizantes como menta, o que pode desencadear a ilusão de que se está a agir sobre a origem do problema pois o mau odor parece que desaparece. No entanto, penso que deveria ficar muito claro a todos que, se pouco tempo depois o mau odor reaparece, a conclusão mais racional é que a origem não está na boca. A simples libertação de um odor a menta – mais intenso que o mau odor detetável – mascara-o por uns 15 minutos. Durante esses 15 minutos não houve um efeito eliminador mas sim um efeito dissimulador ao nível do nariz (que deteta somente um odor de cada vez – prevalecendo usualmente o mais intenso). A conclusão é a seguinte: antes de se persistir irracionalmente com tratamentos que o paciente já verificou que são ineficazes, deve procurar uma consulta específica com o objetivo de averiguar a causa da halitose e o tratamento correspondente.

Dr. Jonas NunesProf. Dr. Jonas Nunes
Doutor e investigador em Halitose