Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes respondidas pelo Dr. Jonas Nunes

Como evitar ou prevenir a halitose ou mau hálito?

Primeiramente, há que ter bastante claro o que é a halitose fisiológica que todos podemos ter (ex.: a que ocorre ao despertar ou durante os jejuns prolongados) e a halitose patológica ou crónica (a que sucede frequentemente mesmo pouco depois de comer ou realizar a higiene oral). Esta última, a halitose patológica, quase sempre é impossível de prevenir. A forma de evitá-la é o tratamento e não a prevenção.

Em relação à halitose fisiológica (que em muitos casos está relacionada com maus hábitos) pode ser evitada recorrendo a diferentes estratégias como: comer a cada 4 horas, evitar as comidas condimentadas e odorantes, evitar o álcool, o café, o tabaco, evitar as dietas hiperproteicas, hipocalóricas, as comidas ricas em gorduras, beber 1,5 litros de água por dia e realizar dois procedimentos básicos de higiene oral – o uso do fio dentário e a limpeza da língua. No entanto, se apesar de isto o mau hálito persistir, então a halitose deve ser considerada patológica (e não fisiológica), estando indicada a consulta do hálito. É importante salientar esta realidade já que muitos pacientes que nos visitam adotam hábitos compulsivos como escovar os dentes ou utilizar elixires 5-6 vezes ao dia, etc. Compreende-se que tentam evitar ao máximo a manifestação de mau hálito, porém infelizmente o excesso de zelo em relação aos cuidados preventivos (quando a halitose é patológica) não resulta num resultado benéfico y duradouro em relação ao hálito.

Sobre os cuidados de higiene oral mais importantes para a prevenção do mau hálito, ainda que não esteja amplamente divulgado, diversos estudos realizados até à data que compararam o hálito de pessoas que usavam elixires regularmente e pessoas que não usavam, duas horas depois de utilizá-los, não se verificou diferenças no hálito de ambos grupos (isto é, duas horas depois de utilizar um elixir, o estado do hálito das pessoas que utilizam elixires é o mesmo das pessoas que não utilizam. Ainda que estes estudos científicos o comprovem, esta é uma realidade que os pacientes que vêm à consulta pela primeira vez admitem ter constatado eles mesmos.

Lamentavelmente, estes resultados sobre a eficácia dos elixires, não são muito divulgados talvez pelos interesses comerciais associados mas os estudos estão publicados e disponíveis para consulta nas principais bases de dados médicas mundiais (como o PubMed/Medline). Por outros lado, quando comparado o estado do hálito entre pessoas que utilizam regularmente o fio dentário e/ou o limpador de língua e aqueles que não utilizam nenhum deles, observou-se que o hálito deste último grupo era manifestamente pior. O uso regular de fio dentário e a limpeza regular da língua são bastante mais relevantes na prevenção de halitose em comparação com a utilização regular de elixires.

Dr. Jonas NunesProf. Dr. Jonas Nunes
Doutor e investigador em Halitose