A Halitose

O que é, quais as causas e como se diagnostica

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Origem neuropsicológica

Certos estados psicológicos relacionados com o stress ou com a ansiedade podem gerar halitose verdadeira. Deve-se sobretudo ao facto de que as glândulas salivares (estimuladas por fibras nervosas ligadas ao Sistema Nervoso Autónomo) provocam a diminuição da secreção salivar nestas condições. A estagnação de saliva residual na boca resulta num aumento de produção de COVs e CSVs. Foi demonstrado este fenómeno quando um grupo de alunos universitários foi convidado a ver um filme de terror durante 15 minutos, havendo sido medido o hálito antes e depois. Esta situação também é denominada de halitose do palestrante, dado ser frequente em pessoas que falam em público (necessitando habitualmente de ter um copo de água por perto).

No entanto, outras condições de carácter psicológico ou psiquiátrico podem influenciar apenas a auto-percepção de uma pessoa e/ou incluso a ideia que esta tem sobre a percepção de outros em relação ao seu hálito. Os casos de pseudohalitose podem dever-se a uma série de factores. Algumas pessoas simplesmente sentem um mau odor constante no próprio ar expirado (quando terceiros o não sentem), ou ficam convencidas apenas devido ao odor sentido após envolver o nariz e a boca com as mãos, lamber as mãos, cheirar o auscultador do telefone, cheirar o fio dentário, esfregar os dedos pela gengiva, amígdalas ou língua, ou respirar debaixo de um cobertor. Estes pacientes geralmente obtêm resultados mais elevados nas escalas de compulsão-obsessão, sensibilidade interpessoal, ansiedade e psicose, quando comparados com a população geral de pacientes.

Presunções erradas de atitude de terceiros são também uma causa frequente. A insegurança leva muitas vezes a sobrevalorizar/interpretar erradamente atitudes e comportamentos habituais de terceiros como abrir uma janela, coçar o nariz, cobrir a mão com a boca, oferecer uma chiclet, olhar para o chão enquanto ouve, etc., ou por encontrar uma capa de material branco sobre a língua (frequentemente depósitos proteicos de origem salivar) deduzindo de imediato tratar-se de saburra.

As disgeusias, ou alterações do paladar, também levam os pacientes a acreditar que têm halitose. Estas podem ser influenciadas por uma série de factores nutricionais, hormonais, metabólicos, entre outros, originando alguma confusão consequente da estreita proximidade entre a percepção olfactiva e a percepção do paladar. Os pacientes com deficiências olfactivas geralmente também têm uma maior preocupação.

A halitofobia tornou-se recentemente uma condição psiquiátrica reconhecida. Os halitofóbicos são pacientes afectados por halitose psicossomática (muitos deles nem sequer têm auto-percepção de halitose), e que se recusam a ver um especialista psicológico, por não reconhecerem sua própria condição psicossomática. Para eles não há dúvida de que sofrem de halitose muito intensa, mesmo após os mais chegados insistirem de que não têm halitose. O comportamento de outras pessoas, como cobrir o nariz ou o distanciamento durante uma conversa, é imediatamente interpretado como uma indicação de que o seu hálito é ofensivo, e qualquer destes comportamentos ou atitudes são o suficiente para crer que têm um forte mau odor bucal. É um problema grave que frequentemente resulta em dramas de diversa ordem ao nível pessoal e familiar.

A síndrome de referência olfactiva é uma condição psiquiátrica caracterizada pela crença inabalável de possuir um odor corporal muito desagradável (não apenas proveniente do ar expirado como na halitofobia, mas também da pele, axila, órgãos genitais ou outras regiões do corpo), e acompanhada por uma vergonha e angústia consideráveis, levando ao isolamento social. Estes pacientes apresentam características marcadas de auto-observação, auto-crítica, neurose, inferioridade, dificuldade em expressar as emoções e obsessão. A depressão muitas vezes é secundária a este síndrome.

A hipocondria pode ser também um factor desencadeante de uma auto-percepção errada do hálito. Também existem casos de pessoas que podem tornar-se hipersensíveis por terem um familiar que padeça de halitose crónica.

A presença de caseos amigdalinos nem sempre resulta em mau odor sentido por terceiros, no entanto, ao próprio paciente origina uma perturbação constante, levando-o a crer que tem mau hálito.

Nos últimos anos, tem-se assistido a um fenómeno de maior frequência de pessoas a procurarem ajuda por julgar ter halitose ao dar-se conta de não possuírem um hálito dito fresco. Estas expectativas pouco realistas ou exigência demasiado elevada é muitas vezes resultante da publicidade relacionada com os mais diversos produtos para melhorar o hálito difundida através dos media.