Tratamento

O que pode ser feito contra a halitose

Todos os direitos reservados. É proibida a cópia ou transmissão dos conteúdos sem autorização prévia do Instituto do Hálito.

A consulta especializada de halitose

Nos últimos anos, a população tem investido cada vez mais em produtos cosméticos e farmacêuticos com o objectivo de tratar/melhorar o hálito. Os casos mais comuns são as chiclets e os colutórios. No entanto, estes produtos têm um efeito muito limitado e de curto prazo, pois a maioria somente mascara o odor. Este efeito é obtido através de um odor (geralmente à base de menta, hortelã, canela, etc.) que se sobrepõe ao verdadeiro, não actuando portanto sobre a diversidade de factores etiológicos/causas. Para uma solução eficaz, a origem da halitose deve ser diagnosticada, cabendo ao médico um papel fundamental em ambos diagnóstico e tratamento.

Desafios

Um dos maiores desafios no diagnóstico da halitose prende-se com o facto de esta ter múltiplas causas, abarcando diversas especialidades da Medicina. Este facto dificulta a tarefa dos profissionais de saúde, especialmente quando não têm experiência e não possuem a tecnologia específica para a abordagem desses casos. Vários trabalhos científicos têm salientado a pouca atenção dada a esta patologia nos currículos universitários ligados à Saúde. Num estudo desenvolvido por professores universitários e investigadores do Instituto do Hálito, constatou-se que o ensino da halitose na Península Ibérica é insuficiente.

A informação por parte dos alunos finalistas foi confirmada através de um teste de conhecimentos, que verificou que o ensino ministrado aos alunos foi insuficiente. Neste estudo, merece especial atenção o facto de 70% dos alunos referirem que não comunicaria aos pacientes a detecção de halitose se estes não se queixassem explicitamente. À semelhança de outros países, também na Península Ibérica o tema é tabu, mesmo na relação médico-paciente.

Consequências

Todos estes problemas levam a que muitos pacientes cheguem a uma consulta de halitose receosos, pouco colaboradores e desconfiados dos profissionais de saúde devido a experiências prévias negativas. As queixas mais frequentes apontadas pelos pacientes são o reencaminhamento sistemático (orientados de um especialista para outro), a realização de consultas rápidas e inconsequentes (alguns profissionais não comprovam a existência de halitose), a desvalorização das queixas do paciente por ser uma patologia com baixa morbilidade, o recurso a tratamentos com pouca evidência científica ou à base de produtos de mascaramento de odores, e a iatrogenia (complicações resultantes da tentativa mal lograda em solucionar o problema do paciente). As situações mais frequentes deste último caso são a remoção das amígdalas, a extracção dentária, e a cirurgia de correcção do septo nasal, sem qualquer efeito benéfico sobre o mau hálito.

Para responder a estes desafios, surgiu no final dos anos 90 uma consulta médica especializada de halitose. Os países pioneiros foram Israel, E.U.A., Japão e Bélgica. Desde então, começou-se a assistir uma evolução marcante nos meios de diagnóstico e técnicas utilizadas em clínica, surgindo então os primeiros especialistas da halitose. Foram constituídas duas sociedades científicas, a ISBOR (International Society for Breath and Odor Research) e a IABR (International Association for Breath Research), das quais o Instituto do Hálito faz parte.

Abordagem clínica

Segundo os padrões internacionais, a abordagem clínica da halitose deve incluir uma consulta inicial de anamnese, de forma a recolher todos os dados referentes aos factores predisponentes e desencadeantes da halitose, e realizar exames específicos (cromatografia gasosa, testes microbiológicos, salivares, etc.) de forma a permitir uma análise objectiva do hálito e das suas causas. Antes de ser realizado qualquer tratamento deve-se chegar primeiro a um diagnóstico. A realização de tratamentos empíricos baseados em suposições, sem fundamentação objectiva e criteriosa, é portanto desaconselhada.

A necessidade do diagnóstico depende não só da análise dos dados médicos recolhidos (incluindo uma análise exaustiva dos factores de risco associados) mas também dos resultados da exploração clínica e dos exames de diagnóstico específicos para a halitose. Também é crítica a avaliação do caso por um profissional de saúde experiente na abordagem da patologia, pois nem sempre o facto de haver sinais ou sintomas relacionados com patologias predisponentes para a halitose significa que estas a desencadeiem. A abordagem criteriosa e científica do paciente com halitose reduz drasticamente o risco de serem realizados tratamentos sem sucesso (e consequente gasto inútil de recursos e tempo), além do risco de danos colaterais/iatrogenia associada às terapêuticas implementadas. Além disso, é de suma importância a valorização do impacto psico-social que a patologia tem no paciente, sendo fundamental um acompanhamento atento e sensível por parte do médico.

Finalmente, é de salientar que apesar de a halitose raramente estar associada a uma patologia com risco para a vida, o seu estudo (no âmbito de uma consulta especializada) é benéfico pois pode pôr a descoberto uma série de patologias, como a periodontite, a rinossinusite, alterações gastrointestinais, ou a presença de Helicobater pylori, entre outras.

Pacientes

Na Península Ibérica, segundo os dados obtidos pelo IH nos vários centros da rede clínica, a consulta de halitose é procurada tanto por mulheres (53%) como por homens (47%), com uma idade média de 38 anos, num espectro dos 2 aos 94 anos. Regista-se uma tendência para a procura por parte dos níveis socioeconómicos e educacionais mais elevados (quase metade dos pacientes concluíram o ensino superior). Um dado relevante sobre a necessidade da consulta especializada e integrada de halitose também na Península Ibérica é que 80,5% já tinham recorrido a profissionais de saúde das mais diversas especialidades.